NOTA PÚBLICA DOS PARTICIPANTES DO GRUPO ESPIRITISMO COM KARDEC

Os participantes do Grupo Espiritismo com Kardec, abaixo-assinados, de maneira democrática, consensual,

Sentem-se no dever de vir a público manifestar-se coletivamente sobre a grave polêmica envolvendo a recente fala do orador Divaldo Franco, em evento espírita, sobre a “ideologia de gênero”, amplamente divulgada nas mídias sociais nos últimos dias. O único objetivo desta Nota é de contribuir no desenvolvimento da discussão em curso entre os adeptos e simpatizantes da Doutrina Espírita, afastada qualquer conotação de ofensa pessoal, perda de estima e de sectarismo.

  1. As obras fundamentais do Espiritismo não condenam nem apresentam expressamente como infração à Lei Divina a liberdade de pesquisa científica sobre o comportamento humano e social, inclusive as com o fim de compreensão de aspectos psicológicos e sociológicos envolvendo a sexualidade e a identidade de gênero. O tema não se encontra abordado especificamente no legado de Kardec, certamente porque não era efervescente a seu tempo (Europa do Sec. XIX).
  2. Também não é possível nem recomendável, quando as pesquisas ainda estão em andamento e não há conclusões definitivas, dizer com autoridade que a condenação a esses estudos resta implícita, da interpretação dos conceitos e princípios da Doutrina dos Espíritos, porque estes preconizam ao ser o trabalho intelectual emancipador, o pensamento crítico-reflexivo, a liberdade de consciência e de expressão espiritual e a busca incessante de conhecimento, orientados pela razão e pelo bom senso, assegurando-se o emprego ético de seu produto em escala individual e coletiva.
  3. O que o Espiritismo aponta como falta moral a ser evitada e corrigida, extreme de dúvida, Individual e depois socialmente, é qualquer forma de prejuízo, de preconceito e de violência, física ou moral, concreta ou potencial, por efeito de palavras e atitudes Irrefletidas que, a pretexto de crítica, estudo ou experimentação, refujam ao dever de prudência e à ética da reciprocidade fraternal (“não fazer ao outro o que não gostaria fizessem a si mesmo”, e, em âmbito coletivo, proceder com vistas à maior soma de benefícios humanitários). Igualmente, resulta claro das letras kardecianas que o mal moral, no campo da sexualidade, dá-se quando a liberdade degenera-se em má-paixão, de lascívia e sensualidade, ao argumento de que tal apego aos sentidos materiais aliena o ser das grandes aspirações espirituais (ver em O Livro dos Espíritos, a introd. Parte VI e as qq. 893, 895, 908, 913 e 918).
  4. Com as virtudes e ponderações antes referidas, cabe à sociedade e aos especialistas avaliarem criteriosamente a pretensão de introduzir na educação infantil, com base em estudos recentes, instruções sobre identidade de gênero, de forma a se afastar o risco de prejuízos éticos, psíquicos e físicos, pela erotização moralmente refratária em vista da fragilidade intelectual peculiar ao estado infantil.
  5. Não obstante, por faltar à razoabilidade e ao bom senso, não cabe tomar como “visão espírita” a fala sob exame, porque dela se pode inferir o sentido absoluto de atrelar, a priori, toda teoria ou pesquisa de gênero a uma determinada ideologia reputada como moralmente degradante ou associada a atos de corrupção presentes na sociedade. Há pesquisas sérias e pontuais que declaram abraçar os fins nobres de apoiar psicologicamente os que experimentam conflitos de identidade de gênero e de arrefecer a discriminação e violência sociais contra essas pessoas, em linha de conformidade com a fraternidade, professada em Espiritismo. Portanto, uma declaração generalizante, como a da fala categórica do aludido expositor ou de qualquer outro, no contexto de um congresso espírita, para ser sensata e moralmente útil, deve vir apoiada em evidências concretas.
  6. Por fim, é importante esclarecer que o “Credo Espírita”, tal qual nos apresentou Allan Kardec em trechos pontuais de sua obra, e que não se confunde com homilias e dogmas orientadores de rituais religiosos, se assenta em sua filosofia moral universalizante, humanista e libertária, razão pela qual é impróprio submeter ou vincular uma análise ou diagnose espírita a qualquer filiação a correntes e partidos políticos, ideológicos ou religiosos. Segundo a Filosofia Espírita, as reformas e o progresso sociais decorrerão naturalmente da melhoria de mentalidade moral de cada indivíduo.
  7. Por outro lado, nenhum médium, escritor ou espírito tem autoridade intelecto-moral para enunciar particularmente a Doutrina Espírita. Seu conteúdo é fruto de um ensino coletivo, criteriosamente selecionado e estabelecido sob as premissas da universalidade dos ensinos dos Espíritos, plural, portanto, aliado ao invulgar contributo intelecto-moral de seu fundador. Assim sendo, os adeptos da Doutrina Espírita devem estar dispostos a conferir as opiniões pessoais de diversas procedências, sejam de encarnados ou desencarnados, por mais aclamadas que sejam pessoas e suas ideias, com o referencial teórico dos livros de Kardec, sem renunciar ao raciocínio, ao crivo da lógica e do bom senso, sem recusar as contribuições das ciências e a ela se conjugando, evitando-se, assim, como se tem percebido de regra, o entusiasmo desmedido, a fé cega e a idolatria de médiuns, dirigentes e ate mesmo de consciências desencarnadas tomadas como guias.

 

Brasil, 19 de fevereiro de 2018.

 

Subscrevem a nota:

1-Adailton Reis – SC
2-Adilvo Pessati – SC
3-Adolfo de Mendonça Júnior – SP
4-Alessandro Fernandes Siridakis – SC
5-Alexandre Terenciano – SP
6-Alle de Paula – SP
7-Amely Branquinho Martins – PB
8-Anderson Dias – RJ
9-Anderson Santiago – PE
10-Andreia Martins – MG
11-Antonio Skare – Argentina
12-Arildo Campos – RJ
13-Aureci Martins – RS
14-Beto Souza – RS
15-Carlos Rodrigues Sobrinho – DF
16-Carlos Savalla – RJ
17-Carol Ciardulli – Itália
18-Celia Mara de Oliveira Keirsbaumer – RJ
19-Cili Silva – SP
20-Claiston Cosme – MG
21-Claudio Palermo – SP
22-Claudio Roberto Lopes Costa – SP
23-Conde Anderaos – SP
24-Denise Aragon – SP
25-Diego Avelino de Moraes – GO
26-Domingos Cirillo – SP
27-Ecleides Bleichuvel – SC
28-Edson Figueiredo de Abreu – SP
29-Edson Tobler-Miklos – Suíça
30-Fabiano Segismundo – SP
31-Fernando Benigno Silva – SC
32-Francisco Josicleudo Lima de Sousa – CE
33-Gabriel de Almeida – DF
34-Gabriel Duarte da Rosa – RS
35-George de Marco – SP
36-Guacira Maria Colussi – Suíça
37-Hebe Cogliatti – RJ
38-Homero Ward da Rosa – RS
39-Ivan Franzolim – SP
40-Jefferson Freda – PR
41-João Afonso Filho – PB
42-João Bento – PE
43-Joao Donha – PR
44-Joao Roberto Nascimento – SP
45-Julia Schultz – SC
46-Julio Farias – PB
47-Katia Pelli – SP
48-Leonardo Paixão – RJ
49-Lucia Rando Menta – SP
50-Lucia Souza – PE
51-Luciana Borba – RS
52-Luciana Dornbusch Lopes – SC
53-Luiz Antonio Madio Sanchez – SP
54-Luiz Gonzaga da Silva Júnior – PB
55-Luiz Gustavo Muzzi Sant’Anna – SP
56-Mag Sinara Campregher – SC
57-Manoel Fernandes Neto – SC
58-Manuela Borges – RS
59-Marcelo Alves Teixeira – RJ
60-Marcelo Henrique Pereira – SC
61-Marco Borges – SC
62-Marcos Vinicius Lisboa Augusto – SP
63-Maria Marcia Pagliarini – PR
64-Marta Aparecida de Moura – SC
65-Mateus Roso – RS
66-Milton Medran Moreira – RS
67-Néventon Vargas – PB
68-Nilo Fernando de Brum – RS
69-Norival Rodrigues de Carvalho – SP
70-Nubor Orlando Facure – SP
71-Odair Avelino Costa – GO
72-oseli Marques Shigematsu – SP
73-Patricia Damasceno – RJ
74-Patrícia Helena Frankiv – PR
75-Paulo César – PE
76-Paulo Henrique de Figueiredo – SP
77-Paulo Neto – MG
78-Regis Soster – RS
79-Ricardo Farinelli – SP
80-Ricardo Sardinha – RJ
81-Rodolfo Eduardo Schneider – SC
82-Rodrigo de Oliveira Kfouri – RN
83-Róger Luís Closs – RS
84-Ruy Marcelo Mendonça – AM
85-Salomão Jacob Benchaya – RS
86-Samuel Valentim Afonso – PB
87-Serginho Oliveira – SC
88-Silvio Morais – SP
89-Suzana Taguti – PR
90-Thais Theiss – SC
91-Ubirajara Fauth Xavier – RS
92-Vania Knopf – SP
93-Vinicius Quos Dos Santos – RS
94-Walmir Araújo Pereira – PE
95-William De Paulo Fagundes – SP
Vídeo da Declaração do Divaldo

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