O que é de César e o que é de Deus?

A simples discussão de uma sugestão de Lei, de autoria do Senador Mato-grossense José Medeiros (PSD), na comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, pedindo o fim da imunidade tributária de igrejas e entidades religiosas, provocou um verdadeiro alvoroço nas redes sociais.

O principal argumento dos opositores desta lei, diz que as instituições religiosas, são as principais responsáveis por recuperar dependentes químicos, manter creches, escolas e outras entidades e que está tributação faria com que elas trabalhassem com muita dificuldade, podendo até mesmo acarretar o fechamento de algumas unidades.

O que nos faz trazer este assunto para discussão é provocar uma reflexão da verdadeira finalidade de uma instituição, principalmente de uma Casa Espírita.

Herculano Pires dizia “Se os espiritas soubessem o que é o Centro Espírita, quais são realmente as suas funções, o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da terra”. Ao longo do tempo, preocupados com as dificuldades materiais de nossos irmãos, nos concentramos muito mais em combater os efeitos do que a verdadeira causa, que é a injustiça social – proveniente, muitas vezes, de nosso orgulho e egoísmo, verdadeira chaga que a Doutrina Espírita bem compreendida faz desaparecer.

A verdadeira divulgação da Doutrina Espírita busca a transformação do ser humano, mostrando que ele é muito mais do que o corpo que atualmente habita, que sua transformação moral o fará enxergar o próximo como a um irmão e que a verdadeira caridade está na benevolência, na indulgencia e no perdão.   A Casa Espirita deve ser uma escola da Doutrina Espírita, pois sem estudo não se faz Espiritismo e sem conhecimento doutrinário não se transforma o homem. Portanto não é possível atacar as causas das injustiças sociais, mantendo o foco só nos efeitos, deixando  de preparar o Espírito para a vida.

O pagar ou não impostos já era preocupação do Fariseus, que levaram essa questão a Jesus. Tomando uma moeda do censo, disse o Mestre: “ De quem é esta imagem e inscrição? Responderam-lhe eles: De César. Então lhes disse Jesus: “Pois daí a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mateus XXII; 15-22).

Cumpre, portanto, a cada um de nós saber o que é de César, e o que é de Deus.

Geólogo da turma de 1971 USP, Membro da equipe do programa Momento espírita da USE presidente da Distrital Pinheiros USE.

Natural do Rio de Janeiro (RJ) e radicado há muitos anos em Florianópolis (SC), Marcelo Henrique se tornou espírita em 1981, vindo do catolicismo. É Secretário Executivo da Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo (ABRADE) e presidente da Associação dos Divulgadores do Espiritismo de Santa Catarina (ADE-SC), assim como do Centro Cultural Espírita Herculano Pires, em São José (SC). Também é delegado da Confederação Espírita Pan-Americana (CEPA), associado da Associação Brasileira de Amigos e Delegados da CEPA (CEPA-Brasil), do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita (CP-Doc) e da Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas da Paraíba (ASSEPE). Atua, ainda, como representante da ABRADE, no Fórum das Entidades Especializadas de Âmbito Nacional, junto à Federação Espírita Brasileira. É Editor-Chefe da Revista Espírita HARMONIA, um periódico eletrônico e, como escritor e articulista, tem artigos e pesquisas em diversos sites, assim como é autor de “Túnel de Relacionamentos” (Ed. EME) e “Alteridade: a diferença que soma” (Ed. INEDE).

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