Religiosidade e Espiritismo: Consciência Livre.




Segundo o Espiritismo


“Segundo o Espiritismo, o Evangelho não deve ser considerado mero tratado de fé, porque deve ser acima de tudo um motivo permanente de ação regeneradora. Interpretá-lo ao pé da letra é obscurecer-lhe o espirito, e é este que vivifica, como já diz a própria sabedoria evangélica. Mister se faz que haja uma luz nova, e esta luz, para nós, é a Doutrina Espirita, porque a sua filosofia explica o Evangelho, tornando-o mais claro, mais coerente, mais consentâneo com a realidade humana e espiritual. Devemos, pois, firmar um ponto: É o Espiritismo que interpreta o Evangelho, não é o Evangelho que interpreta o Espiritismo. Esta é a nossa maneira de ver, a nossa compreensão em face do Evangelho. Respeitamos, sinceramente, a opinião dos que não pensam assim, mas temos o direito de pensar em concordância com a doutrina que professamos.”

(Deolindo Amorim, O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas, Página 29).

Não deve ser considerado mero tratado de fé

Porque deve ser acima de tudo um motivo permanente de ação regeneradora.

Interpretá-lo ao pé da letra é obscurecer-lhe o espirito, e é este que vivifica, como já diz a própria sabedoria evangélica.

Mister se faz que haja uma luz nova, e esta luz, para nós, é a Doutrina Espirita, porque a sua filosofia explica o Evangelho, tornando-o mais claro, mais coerente, mais consentâneo com a realidade humana e espiritual. Devemos, pois, firmar um ponto:

É o Espiritismo que interpreta o Evangelho, não é o Evangelho que interpreta o Espiritismo. Esta é a nossa maneira de ver, a nossa compreensão em face do Evangelho. Respeitamos, sinceramente, a opinião dos que não pensam assim, mas temos o direito de pensar em concordância com a doutrina que professamos.” (Deolindo Amorim, O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas, Página 29).

Os Espíritos uniram-se na Codificação Kardeciana para elaborar uma doutrina cientifica e filosófica, baseada na comunicação entre os planos de existência e na compreensão de que o caminho da virtude torna o homem senhor de suas paixões, um ser autônomo, verdadeira imagem e semelhança da inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas.

Entre a equipe desencarnada que participou da codificação espírita haviam aqueles que enquanto encarnados eram notadamente mais religiosos, principalmente a chamada falange do Espírito Verdade. Porém, durante os anos do trabalho terrestre de Allan Kardec, demonstraram o rigor lógico imprescindível para a fé raciocinada.

Produziram “O Evangelho segundo o Espiritismo”

Entre outras obras, comunicações e artigos, enquanto outros Espíritos, desde aquela época, continuam se manifestando como se fossem emissários divinos de Deus, produzindo interpretações da doutrina espírita de acordo com as suas crenças pessoais e ilusões materiais no mundo espiritual.

São trabalhos dogmáticos, que conjuram “O Espiritismo segundo o Evangelho” e favorecem um sectarismo estranho na doutrina espírita, universalista por natureza.

Respeitamos a diversidade de crenças e denominações na promoção do livre pensamento, sem preconceitos, pois entendemos que a as manifestações sinceras de religiosidade são parte dos esforços do espírito para superar suas imperfeições, ou vícios morais, no caminho do bem. Porém, temos posição contrária quanto a qualquer teoria que negue ao espírito a primazia das capacidades intelectuais – pensamento, senso moral e memória – e as coloque num dos seus dois envoltórios materiais.

Enquanto considerar a sede mental no cérebro físico – envoltório material ponderável – é a tese dos materialistas, que descartam a necessidade existencial do espírito, considera-la no chamado corpo mental do perispírito – envoltório material imponderável – abre caminho para outras teses místicas que tentam aceitação no espiritismo desde sua criação. Como a degradação da forma pela culpa.

Lembramos que segundo a Codificação Kardeciana o espirito não desaprende e, uma vez conquistada forma humana, ele não vai retroagir para uma lesma nem para o ovo, das teorias espiritualistas mais recentes e ainda sintonizadas com o Criptógamo Carnudo de J.B. Roustaing, cujas ideias continuam ativas, apenas com pequenas modificações de termos arcaicos por sinônimos modernos, apresentando o mesmo núcleo moral de castigo e perdão, externos.

Gradativamente a ritualística

Tem crescido no movimento espírita brasileiro. Percebemos claramente na repetição mecânica de preces decoradas, na idolatria cega aos médiuns em similaridade com um corpo clerical e nos poderes de sínodo conferidos para alguns poucos. São atitudes sectárias, características de uma religião especial, na consolidação da sua declaração de crença. Processo dogmático que ganhou força depois do Pacto Áureo de 1949, cuja proposta inicial era de unificação do movimento e que atualmente expande sua zona de influência além das fronteiras nacionais, tentando assumir a posse do termo Espiritismo para determinar, segundo seus padrões, quem é ou não espírita. Unificação de acordo com as regras e estas de acordo com a vontade dos donos da casa, que já ocupam lugares nos conselhos religiosos como representantes habilitados oficialmente para falar pelo Espiritismo, como um todo.

Discordamos nestes pontos, pois entendemos que todos devem possuir liberdade para expressar a religiosidade da maneira como entendem ser melhor. Sem anátema aos que não sentem a necessidade de um culto exterior.

“O Espiritismo, sendo independente de qualquer forma de culto, não prescrevendo nenhum deles, não se ocupando de dogmas particulares, não é uma religião especial, pois não tem padres nem seus templos. Aos que indagam se fazem bem em seguir esta ou aquela prática, ele responde: se sua consciência pede para fazê-lo, faça-o; Deus sempre leva em conta a intenção”. (Allan Kardec, O Espiritismo em sua mais simples expressão, Página 31).

Conforme o codificador, consideramos que o individuo pode ser cristão, judeu, muçulmano ou escolher outra denominação de sua livre escolha, mas ainda assim acreditar nas manifestações espirituais, na evolução moral através das reencarnações nos diversos mundos e, consequentemente, também ser espírita.

Abraços fraternos!

🤗

Versão PDF disponível em: https://goo.gl/WyAQTN

Referências.

01. AMORIM, Deolindo. O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas. 5. ed. Curitiba: Livraria Ghignone Editora, 1984. Disponível em: < https://goo.gl/hJXFX7 >. Acesso em: 10 de jan. de 2019.

02. BENCHAYA, Salomão Jacob. Da Religião Espírita ao Laicismo: A trajetória do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre. 1. ed. Porto Alegre: Editora Imprensa Livre, 2006. Disponível em < https://goo.gl/eBfqaN >. Acesso em: 10 de jan. de 2019. Salomão Jacob Benchaya.

03. KARDEC, Allan. O Primeiro Livro dos Espíritos. 1857. Tradução de Canuto de Abreu. 1. ed. São Paulo: Companhia Editora Ismael, 1957.

04. KARDEC, Allan. O Que é o Espiritismo. 1859. Tradução de Wallace Leal V. Rodrigues. Introdução de José Herculano Pires. 2. ed. São Paulo: LAKE, 2007.

05. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 1860. Tradução de José Herculano Pires. 81. ed. São Paulo: LAKE, 2015.

06. KARDEC, Allan. O Espiritismo em sua mais simples expressão. 1862. Tradução de Dafne R. Nascimento. Prefácio de Deolindo Amorim. 2. ed. São Paulo: Edições FEESP, 1989.

07. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 1864. Tradução de José Herculano Pires. 93. ed. São Paulo: LAKE, 2015.

08. ORNELAS, João Eduardo. Evangelismo. Site: Espiritismo de Fato, 26 de dez. de 2015. Disponível em: < http://espiritismodefato.blogspot.com/…/12/99-evangelismo.h…>. Acesso em: 08 de jan. de 2019. João Eduardo Ornelas.

09. PEREIRA, Marcelo Henrique. Que seja Segundo o Espiritismo. Site: Espiritismo Com Kardec, 12 de jul. de 2018. Disponível em: < https://www.comkardec.net/que-seja-segundo-o-espiritismo >. Acesso em: 10 de jan. de 2019. Marcelo Henrique.

10. SOBRINHO, Geraldo Campetti. Não esqueça as fontes. Site: Federação Espírita Brasileira, 2009. Disponível em:< http://www.febnet.org.br/…/…/Pesquisa/Naoesquecaasfontes.pdf >. Acesso em 11 de jan. de 2019.

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