Visão do Observador: Encontro das Paralelas

Visão do Observador: Encontro das Paralelas 


Beto Souza
Texto Original

Percebemos o mundo através das lentes que nos foram dadas pela nossa criação, cultura e grupos de afinidade. Consideramos que nosso caminho é o certo, mas nos esquecemos de que todas as rotas conduzem ao progresso. Como as retas paralelas, que os nossos sentidos, condicionados na tridimensionalidade, não conseguem perceber se encontrando no infinito.

A Doutrina Espírita

Ensina que somos criados simples e ignorantes, como folhas de papel em branco, onde, vida após vida, nossas histórias serão escritas com o relato das nossas lutas e conquistas.

Os diversos mundos servem como pontos de estágio. Salas de aula, com seu próprio ritmo de depuração, onde incontáveis turmas adquirirem novos conhecimentos, sendo habilitadas para seguir novas direções e aceitar novos desafios na senda evolutiva.

Somos seres inteligentes envolvidos por camadas materiais para aprendermos.

Temos dois tipos de percepções, as internas, referentes a nós mesmos como indivíduos e as externas que atuam como um sistema de troca de informações com os outros e com o ambiente que nos cerca. A noção dos cinco sentidos, que herdamos da Filosofia grega em seu período clássico, é relacionada com as nossas ferramentas materiais para recepção de dados, que serão interpretados pelo nosso intelecto. Considerando os tipos de percepção, sabemos que os sentidos tradicionais coadunam com nossas noções externas. Sem estas ferramentas de troca nossa inteligência perde a possibilidade de produzir novos conhecimentos empíricos, permanece estagnada.

É pelo contato com os outros e com o mundo que a inteligência se desenvolve, progride, faz o conhecimento ganhar novos ares, novas teorias e campos de exploração. Sem o contato exterior ficamos isolados na nossa percepção interna. Potência, aguardando as ferramentas de expressão para tornar-se ato. 

O universo criado, emanação da inteligência suprema, é formado por dois princípios:

– O primeiro, imagem e semelhança com o criador, é o mundo espiritual das potencialidades inteligentes, simples na origem, mas com possibilidade de progredir no caminho da perfeição;

– O segundo, das ferramentas de aprendizado, é o mundo material onde as inteligências interagem entre si e ampliam suas consciências. 

O mundo material, onde não existe vazio, é espaço preenchido pelo fluido cósmico universal acompanhando o ritmo de expansão e retração do cosmos através do tempo. A matéria, como é conhecida hoje, pode ser dividida em elementos “ponderáveis” como os quarks e léptons, que formam os prótons, nêutrons e elétrons ou “imponderáveis” como os bósons que formam os fótons e outros que se comportam tanto como partícula quanto onda.

Enquanto os corpos ponderáveis não ocupam o mesmo lugar no espaço, os imponderáveis podem se interpenetrar e atravessar os primeiros sem perder suas características. A energia não é matéria. Ela mantém a matéria coesa nos mais diversos graus de vibração e tangibilidade. Na fissão de um átomo os seus componentes ponderáveis e imponderáveis não se convertem em energia, eles se reorganizam em partes menores, que continuam sendo materiais enquanto a energia se liberta pelo espaço, considerado um sistema fechado em sua amplitude máxima.

No Espiritismo entendemos que o mundo espiritual precede o material, é o plano das inteligências em potencial, que na origem são como crianças, sem vontade própria nem consciência exata de si mesmas. O longo processo de aprendizado inicia quando esta centelha pensante, verdadeira individualidade, aglutina em sua volta matéria imponderável formando seu primeiro revestimento, o perispírito, que será sua principal ferramenta de interação.

A individualidade Inteligente é a sede do pensamento, da memória, do aprendizado.

É o centro luminoso da inteligência que possui a força de criar um campo aglutinador em volta de si, atraindo os diferentes tipos de matéria. Com esta força similar com a da gravidade, o espírito organiza seus envoltórios. Com o final da encarnação apenas o corpo físico morre, o espírito envolvido pelo perispírito, sobrevive.

Em sua infância espiritual, o espírito encontra-se imerso em matéria densa.

Seu invólucro imponderável é ainda tão grosseiro que mal se diferencia do corpo físico, ponderável. O acesso é limitado aos planos mais primitivos de vibração onde o objetivo de aprendizado é controlar a atração e repulsão material, como os átomos que por afinidade buscam equilibrar suas eletrosferas no contado com elementos complementares formando as moléculas primordiais do plano físico.

Podemos fazer um exercício de imaginação tentando acompanhar uma inteligência primordial, já naquele momento impulsionada por suas inclinações.

Um conjunto de protocélulas onde algumas preferem o mínimo de movimentos e aprendem a criar as raízes do que serão as primeiras plantas enquanto outras preferem o movimento pelas águas do oceano primitivo e se tornam, após milênios de especialização, os primeiros animais marinhos.

Com pouco controle exterior e limitada consciência de si mesmos, desencarnam e encarnam novamente em sequência. Sem conseguir se libertar da densidade material, não conseguem permanecer envolvidos apenas pelo perispírito, pois o chamado da vida física e dos instintos nascentes fala mais alto, com urgência para uma nova encarnação.

As características morais dos habitantes de um mundo determinam o grau de densidade vibratória da matéria que o forma.

Quanto mais benevolente é um povo, mais etéreo será o plano em que habitam, ou seja, quanto maior o progresso, mais sutis serão os seus envoltórios. A matéria é a mesma, porém em níveis vibratórios mais elevados. Nossa essência é o que realmente muda conforme progredimos nos planos de existência. Somos nós, como espíritos, que mudamos e progredimos através dos diversos mundos no espaço infinito.

Os espíritos que não se enquadram não são expulsos por uma mão julgadora impiedosa, mas naturalmente alocados em outros mundos, ou planos de vibração, por sintonia e afinidade. Da mesma forma, quando um espírito progride o suficiente para superar as limitações do plano onde se encontra, ele se eleva, ascende aos níveis mais adiantados. A matéria mais densa que formava seu corpo fluídico retorna para o fluido universal do globo onde o espírito encontrava-se em estagio e com a velocidade de um relâmpago ele se reveste com a matéria imponderável mais sutil do novo plano. Tal como o estudante que após a formatura abandona as vestes de aprendiz e se reveste com os trajes de mestre.

O mundo que ele deixou permanece o mesmo, depurando-se gradualmente, sem forçar o progresso, mas em harmonia com a evolução interior de todos nós.

Porto Alegre, 27 de janeiro de 2019.

Referências:

01. DENIS, Léon. O Problema do ser, do destino e da dor. 32. ed. Brasília-DF: FEB, 2016

02. Paulo Henrique de Figueiredo . Revolução Espírita. 1. ed. São Paulo-SP: MAAT, 2016. 

03. JANET, Paulo. Tratado Elementar de Filosofia, Primeiro Volume: Introdução, Psicologia, Lógica. 1. ed. Rio de Janeiro-RJ: Livraria B.L. Garnier Editor, 1885.

04. JANET, Paulo. Tratado Elementar de Filosofia, Segundo Volume: Moral, Metafísica e Teodiceia, História da Filosofia. 1. ed. Rio de Janeiro-RJ: Livraria B.L. Garnier Editor, 1885. 

05. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 1860. Tradução de José Herculano Pires. 81. ed. São Paulo: LAKE, 2015.

06. KARDEC, Allan. O Espiritismo em sua mais simples expressão. 1862. Tradução de Dafne R. Nascimento. Prefácio de Deolindo Amorim. 2. ed. São Paulo: Edições FEESP, 1989.

07. KARDEC, Allan. A Gênese, Os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo. Tradução de Carlos de Brito Imbassahy. 1. ed. São Paulo: FEAL, 2018. 

08. LACERDA, Dr. José. Energia e Espírito: Teoria e Prática da Apometria. 5. ed. Porto Alegre: Palloti, 2009. 

09. Milton Medran Moreira. Opinião em Tópicos:
A egrégora, O choque, Unificação, Recordando Krishnamurti.
Jornal CCEPA OPINIÃO – Ano X – Nº 102 – Outubro, 2003. 

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